Posição das Organizações da Sociedade Civil na Temática do Aquecimento Global

As mudanças climáticas tem sido uma temática em discussões por todo o globo terrestre, os impactos são evidentes e os seus efeitos já saíram das teorias e estão sendo vividos por várias comunidades, o processo de aquecimento que vem sendo divulgado pela mídia mundial é de fato um alerta para os seres viventes nesse planeta, evidências de que o globo terrestre está realmente sofrendo uma ação natural de aquecimento para o período proposto, os tratados internacionais e os acordos são muito tímidos no sentido de criar um ambiente global de sustentabilidade, e enquanto isso, pequenos atos vão se alastrando pelo mundo com muita ideologia de muita significância, pois num contexto global é necessário mais que pequenos focos de movimento, mas uma ação orquestrada da sociedade civil organizada, aliadas a entes estatais representando de forma substancial uma preocupação latente e um ação mais ostensiva para os problemas ambientais, não só aqueles ligados ao aquecimento global que mesmo não tendo sido completamente atribuído cientificamente a ação humana, merece atenção. O mapeamento da cadeia de degradação, conhecimento desde os fatos menores ligados ao tema e a sucessão de elementos que culminam no aquecimento global é extremamente importante, pois só através do conhecimento conseguiremos organizar ações de forma a coordenar esforços de forma eficaz, visando não só mitigar os efeitos da ação predatória do homem na terra, mas planejar mesmo que no longo prazo, a sua erradicação e assim poder trabalhar na correção desses efeitos, que por si só trarão um trabalho com esforços heroicos. É necessário ter consciência da realidade que nos cerca, passos iniciais são importantes, a participação em discussões locais, preparativas, comunitárias a criação de incentivos, premiações concursos, a formação de agentes de mudança, até a construção de grandes defensores, lideranças políticas, sociais e ambientais, comprometidas com a causa, são de vital importância para o sucesso das conferências, e fóruns, todos estes com vistas ao evento de âmbito mundial conhecido como COP a Conferência Mundial do Clima, onde de fato as diretrizes maiores devem ser reconhecidas. Acontece que, um trabalho de base deve ser feito, levar em consideração aspectos comuns e territoriais, questões intrínsecas de cada pedaço de chão são essenciais para a construção de políticas sustentáveis, contudo não se pode admitir sem antes criticar, correntes que atribuem esses fenômenos a ação humana, pois essa relação não pode ser cientificamente comprovada, e servem para criar um ambiente de alarmismo desnecessário, isso nos leva a crer que alguém está de alguma forma criando um ambiente de especulação, precisamos sim de um mundo mais sustentável, mas precisamos cuidar que para essa evolução, o alarmismo não exista em prol da especulação que não interessa a grande massa e não cria resultados sustentáveis.

Os resultados das últimas conferências são um termômetro, também indicativos fortes de que ainda não estamos preparados para lidar com o assunto de maneira efetiva, os problemas elencados em Varsóvia como a divulgação de um acordo fraco e pouco ambicioso para os avanços necessários, mostram que a propagação da rede de informações sobre a sustentabilidade não chegaram a sensibilizar comunidades, para que gerem um número relevante de formadores de opinião, capazes de convencer o aparelho estatal a criar políticas nesse sentido, o que se reflete nos fóruns e na própria conferência COP 19. A saída das ONGs entre outros eventos negativos foram determinantes para os insucessos desse evento, a criação de novas diretrizes para substituição do protocolo de Kioto não foram possíveis e o resultado da COP, frustrante. Observemos que o trabalho de base é muito importante, e nesse contexto a preparação necessária além da participação dos fóruns exige a formação de lideres atentos para essa temática, capaz de não só se articular com a sociedade civil, mais também politicamente com os governos. O resultado dessas movimentações são na verdade o inicio de uma expectativa de sucesso. Dentro do Brasil podemos citar que quando o assunto é a preservação da mata atlântica, existe um hiato entre o que se fala e o que se pratica, na COP 19 foi divulgado um aumento de 28% no desmatamento da Amazônia legal. Fatos como esse estão diretamente relacionados a essa falta de articulação, onde o estado propõe medidas por sugestão da sociedade civil e não fiscaliza, também não são fiscalizados pela sociedade que propõe, e assim a falta de pessoas qualificadas para realizar não somente as negociações em âmbito nacional e de se relacionar em nível internacional, criando uma rede de articulação não somente social, mas também política. Temos de reconhecer que talvez o estado esteja influenciado por entes nacionais e internacionais, que não tenham interesse em reduzir seus lucros, por medidas sustentáveis, e mesmo quando isso representa ganhos, não conseguimos articular isso de maneira a evitar a degradação ambiental.

Os movimentos sociais brasileiros tem se feito presente em várias discussões, a formação de membros ativos vem sendo priorizados pela sociedade civil de uma forma geral, ongs, sindicatos, centrais sindicais, dentre elas a UGT, União Geral dos Trabalhadores onde as discussões sobre o assunto são capitaneadas por sindicalistas comprometidos com a causa, que através de conhecimento e articulação leva a Central Sindical ao patamar em que se encontra, de ente ativo em prol da sustentabilidade, instituindo também o comitê de sustentabilidade, que abriga não só sindicalistas comprometidos com a causa ambiental mas também ONGs associadas com a fiscalização e acompanhamento dos parques, a preservação de outros biomas presentes no território brasileiro, e o envolvimento da comunidade impedindo a degradação ambiental pode ser amplificado, e aplicado em todo país, tirando do campo da discussão todas essas medidas e levando para a prática de ações efetivas e sustentáveis, a relação estreita das regionais da UGT e a UGT Nacional em face do comitê nacional de sustentabilidade tem sido de grande importância, e essa produtividade será ampliada, a medida que a UGT reconhece os esforços e investe na qualificação de seus membros, para que a sociedade civil tenha representantes a altura dos desafios que são apresentados, pois as propostas hoje defendidas em âmbito regional e nacional pela UGT, muito bem representada refletem nas conferências maiores como objetivos práticos para um mundo mais sustentável. É essencial a preocupação com a formação pois a representatividade não é nada quando não está aliada a propostas factíveis, pois só através da prática da transformação podemos, criar um ambiente de divulgação e aprendizado, e interferir com propriedade nas discussões a que nos propomos a fazer. Os exemplos que tiramos das ações regionais, mostram claramente que é necessário a participação de todos no resultado, pois, somente pessoas preparadas para os desafios das conferências, poderão alterar as histórias de insucesso que estigmatizam as conferências internacionais do meio ambiente. A participação das entidades que defendem o trabalhador no contexto do aquecimento global, estão visando onde e como esses vão trabalhar sem destruir o planeta, sob os temas da transição justa, trabalho decente, e empregos verdes, mais inclusão, menos degradação e sempre sob o prisma da valorização do trabalhador, sem é claro, esquecer do meio ambiente.

Renato Fernandes (Renato Guerra) é Ambientalista, Professor universitário, Secretário de Meio Ambiente da UGT-DF, Presidente da ONG Guardiões do Verde RG, Membro do Comitê Nacional de Sustentabilidade, Membro Titular do Comitê Local de Acompanhamento do Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho (nomeado pela Presidência da República em 2014), Formado pela Universidade Católica de Brasília e Pós Graduado pela Faculdades Senac, e Anhanguera, em Gestão e Governança, respectivamente.